segunda-feira, 14 de abril de 2014

Árbitro tenta esquecer erro decisivo na final: 'Já foi'

Marcelo de Lima Henrique divide responsabilidade e diz que basta enxergar para ver o que aconteceu no lance: 'Não tem como responsabilizar alguém'

Marcelo de Lima Henrique estava na altura da meia-lua da grande área, passados os 45 minutos do segundo tempo do clássico entre Flamengo e Vasco, neste domingo, no Maracanã, quando Léo Moura cobrou escanteio da direita. Enquanto a bola viajava, o árbitro deu sete passos para trás. De lá, viu Wallace cabecear no travessão, a bola quicar quase sobre a linha e então sobrar para Márcio Araújo completar para o gol e dar o título estadual ao time rubro-negro. O juiz teve três gestos quase instantâneos: olhou para o árbitro atrás do gol, olhou para o auxiliar Luiz Antônio Muniz de Oliveira e aí esticou o braço para o centro do campo, confirmando o gol. Nenhum deles viu que havia impedimento no lance.

Curiosamente, em nota oficial posterior à entrevista com o juiz, o presidente da Comissão de Arbitragem da Ferj, Jorge Rabello, fala que o gol foi "equivocadamente atribuído ao atleta Nixon". O atacante, ao contrário de Márcio Araújo, estava em posição legal, mas não foi ele quem fez o gol.

Menos de 24 horas depois da jogada que decidiu o campeão carioca de 2014, antes da nota da Ferj, Marcelo não quis opinar em detalhes sobre o lance. Mostrou-se irritado. Não citou Nixon. Diplomático, preferiu dividir em partes iguais a responsabilidade pelo erro - o bandeira vem sendo a figura mais criticada por não perceber o impedimento.

- Não cabe a mim comentar nada. Não tem que botar lenha na fogueira. Quem enxerga, vê o que aconteceu no lance. (...) Não tem como responsabilizar alguém. É só ver o lance. Ali, acerta todo mundo, erra todo mundo - comentou, por telefone.

O árbitro carioca de 42 anos, militar, já está escalado para a primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Apitará o jogo entre Atlético-PR e Grêmio, sábado, em Florianópolis. Até por isso, diz que já passou por cima do lance deste domingo.

- O erro faz parte. O cara tem que trabalhar para não errar. É em qualquer profissão isso. É o sentimento individual de cada um. No outro dia, já tem outro jogo. Vi também muita gente elogiando nossa atuação no jogo de ontem (domingo). Eu passo por cima rapidamente. Já foi. Com o árbitro, é sempre assim. Ninguém quer errar.

Marcelo e o auxiliar envolvidos no lance vêm sofrendo fortes críticas, especialmente de torcedores do Vasco. O árbitro diz ter noção de sua responsabilidade. Mas deixa claro que não permite que um erro mude sua rotina. Nesta manhã, já estava no quartel, trabalhando.

- Quem é do futebol e quem tem a responsabilidade quer fazer o melhor sempre. As pessoas com certeza têm responsabilidade. Minha rotina não mudou muito. A vida não para. Todo mundo quer acertar. A vida no futebol é essa. E a repercussão é essa também.

Marcelo de Lima Henrique teve problemas antes mesmo do clássico. No começo da semana passada, sua esposa, Sandra Henrique, que é vascaína, colocou uma postagem em uma rede social criticando a torcida cruz-maltina e dizendo que ao menos o vice já era certo, em aparente tom de brincadeira. Após a nota oficial divulgada pela Ferj, o Globoesporte.com tentou novo contato com o árbitro, que não atendeu.

Globo Esporte

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